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14/04/2016

Peça do mês de abril

O Museu Nacional de Arqueologia conserva uma das mais importantes coleções de joalharia existentes em Portugal. Resultantes na sua maioria de escavações arqueológicas, ofertas ou aquisições. Através do seu estudo e contemplação consegue-se acompanhar a evolução da arte dos materiais preciosos no território nacional desde os finais do III milénio a. C. à alta idade média, cronologia a que a maioria das peças se situa.

Todos os períodos cronológicos e culturais, e também todos os tipos de peças, desde a mais remota Pré-História até épocas recentes, neste caso com relevo para as peças etnográficas, estão representados no MNA. Às coleções portuguesas acrescentam-se as estrangeiras, igualmente de períodos e regiões muito diversificadas.

O MNA é ainda o museu português que possui no seu acervo a maior quantidade de peças classificadas como "tesouros nacionais". No entanto, há ainda espaço para receber exposições temporárias com bens culturais, alguns de cariz único, cedidos por outras instituições. 
Existe, pois, sempre motivo de descoberta no MNA e é esse o sentido da evocação que fazemos, em cada mês que passa.






PEÇA DO MÊS COMENTADA
Anéis tardo-medievais e  tardo-renascentistas da coleção do MNA
A apresentar por Nuno Vassalo e Silva
16 de Abril de  2016, às 15h:30


O Museu Nacional de Arqueologia conserva uma das mais importantes coleções de joalharia existentes em Portugal. Resultantes na sua maioria de escavações arqueológicas, ofertas ou aquisições. Através do seu estudo e contemplação consegue-se acompanhar a evolução da arte dos materiais preciosos no território nacional desde os finais do III milénio a. C. à Alta Idade Média, cronologia a que a maioria das peças se situa. 

Esta comunicação irá abordar, ao que cremos pela primeira vez, um pequeno grupo de anéis datáveis dos séculos XV  a inícios do XVII, nunca antes mostrados, pertencentes ao acervo do museu e que nos documentam a evolução de uma joia que percorre toda a história civilizacional. A joalharia portuguesa no renascimento de que raros exemplares sobreviveram, as principais tipologias dos anéis, utilização e origem das pedras preciosas, substitutos e gemas falsas. A sua circulação e comercialização serão também abordadas nesta sessão. 

Fundamentalmente dá-se a conhecer um conjunto excecional, datável da época dos Descobrimentos, cujo interesse nunca será demais realçar.


20/03/2016

Peça do mês de março

A peça do mês de março, o altar romano dedicado a Arantius Tanginiciaecus, apresentado por José d’Encarnação, já está disponível no canal youtube do Museu Nacional de Arqueologia.



15/03/2016

Peça do mês de março

O Museu Nacional de Arqueologia (MNA) possui um acervo de muitos milhares, na verdade centenas de milhares, de objetos. Provêm eles de intervenções arqueológicas programadas ou de achados fortuitos, mas também de aquisições, tendo sido incorporados por iniciativa do próprio Museu ou por depósito ou por doação de investigadores e colecionadores.
Todos os períodos cronológicos e culturais, e também todos os tipos de peças, desde a mais remota Pré-História até épocas recentes, neste caso com relevo para as peças etnográficas, estão representados no MNA. Às coleções portuguesas acrescentam-se as estrangeiras, igualmente de períodos e regiões muito diversificadas.
O MNA é ainda o museu português que possui no seu acervo a maior quantidade de peças classificadas como “tesouros nacionais”.
No entanto, há ainda espaço para receber exposições temporárias com bens culturais, alguns de cariz único, cedidos por outras instituições.
Existe, pois, sempre motivo de descoberta no Museu Nacional de Arqueologia e é esse o sentido da evocação que fazemos, em cada mês que passa.

PEÇA DO MÊS COMENTADA
Altar romano dedicado a Arantius Tanginiciaecus
(proveniente do Museu Francisco Tavares Proença Júnior, n.º inv. 29.1 MFTPJ)
A apresentar por José d’Encarnação
19 de março de 2016, às 15h30


Proveniente de uma área (a actual Beira Interior) onde persistem muitos vestígios da religiosidade indígena, este altar vai permitir-nos reflectir sobre a aculturação religiosa, uma das mais sábias atitudes que a política organizativa dos Romanos soube adoptar.
Trata-se, por outro lado, de uma divindade especial, porque se venerou sob diversos epítetos e o seu nome não apresenta grafia uniforme, a mostrar não apenas o amplo leque de agregados populacionais que lhe solicitou protecção, como também a influência da linguagem falada, num momento em que se processava, de facto, essa lenta interpenetração entre o Latim e as línguas indígenas.
A influência, aceite, da estética romana revela-se, ainda, na tipologia do monumento e no modo de gravação do texto.
Em suma, uma observação mais atenta deste altar possibilitar-se-á melhor compreensão do que resultou – em termos culturais, políticos e sociais – da convivência pacífica entre Romanos e povos indígenas. Um aspecto em que os estudos epigráficos continuam a revelar-se como fonte histórica primordial.

José d’Encarnação




01/03/2016

Peça do mês de fevereiro

Veja aqui a peça do mês de fevereiro. o relógio da CIVITAS IGAEDITANORVM, apresentado por Amílcar Guerra.



25/02/2016

Peça do mês de fevereiro

O Museu Nacional de Arqueologia (MNA) possui um acervo de muitos milhares, na verdade centenas de milhares, de objetos. Provêm eles de intervenções arqueológicas programadas ou de achados fortuitos, mas também de aquisições, tendo sido incorporados por iniciativa do próprio Museu ou por depósito ou por doação de investigadores e colecionadores.

Todos os períodos cronológicos e culturais, e também todos os tipos de peças, desde a mais remota Pré-História até épocas recentes, neste caso com relevo para as peças etnográficas, estão representados no MNA. Às coleções portuguesas acrescentam-se as estrangeiras, igualmente de períodos e regiões muito diversificadas.

O MNA é ainda o museu português que possui no seu acervo a maior quantidade de bens culturais classificados como “tesouros nacionais”.

Existe, pois, sempre motivo de descoberta nas coleções do Museu Nacional de Arqueologia e é esse o sentido da evocação que fazemos, em cada mês que passa.




PEÇA DO MÊS COMENTADA
27 de fevereiro de  2016, às 15h:30
A apresentar por Amílcar Guerra

O relógio da CIVITAS IGAEDITANORVM


Esta inscrição feita num pequeno bloco de uma pedra não particularmente nobre constitui um dos mais interessantes monumentos para a História da Lusitânia. Nele se declara que um tal Quintus Tallius, identificado como cidadão de Augusta Emerita, ofereceu um relógio aos Igeditanos, os membros da comunidade cívica que tinha a sua sede no local onde se encontrou a inscrição, Idanha-a-Velha.

Esta oferta, que pode parecer estranha, tem na realidade um forte sentido político, uma vez que representa bem os novos tempos: a orientação que o imperador Augusto imprime a administração da Hispânia, reorganizando as províncias ao separar a antiga Ulterior em Bética e Lusitânia. Sublinham alguns autores que este monumento, do ano 16 a.C., assinalaria precisamente o momento em que se teria finalizado esse processo, o que seria um elemento de extraordinária importância.

Mas o relógio representaria também as profundas alterações na vida pública da cidade recém-fundada e à qual se conferia uma estrutura política, um corpo de magistrados, uma assembleia e outras instituições que fixavam dias e horas precisas para os seus actos oficiais. O orarium marcava, portanto, o ritmo da vida política e administrativa da nova cidade.

A epígrafe assinala também que o local destinado à instalação dessa generosa oferta foi indicado pelos magistrados locais, cujos nomes se enunciam. Trata-se de colégio de quatro indivíduos que patenteiam uma onomástica muito característica desta região, em forte contraste com o que eram os nomes romanos como o do próprio Quintus Tallius. Embora todos apresentem dois elementos, o nome romano é composto, como se dizia então, por um prenome e pelo gentilício (o nome da gens, da família), o das personalidades locais era constituído por um único nome pessoal, seguido do patronímico.

Enfim, duas tradições e duas culturas em confronto, mas num contexto em que a superioridade romana implicou também a generalização da língua latina, na qual se redigiu a inscrição. Este texto reflecte, deste modo, a interacção entre comunidades locais e os representantes da romanidade cujos hábitos pautam os novos tempos, dando origem a uma síntese que a expressão "mundo lusitano-romano" de alguma forma exprime.

13/01/2016

Peça do mês de janeiro

O Museu Nacional de Arqueologia (MNA) possui um acervo de muitos milhares, na verdade centenas de milhares, de objetos. Provêm eles de intervenções arqueológicas programadas ou de achados fortuitos, mas também de aquisições, tendo sido incorporados por iniciativa do próprio Museu ou por depósito ou por doação de investigadores e colecionadores.

Todos os períodos cronológicos e culturais, e também todos os tipos de peças, desde a mais remota Pré-História até épocas recentes, neste caso com relevo para as peças etnográficas, estão representados no MNA. Às coleções portuguesas acrescentam-se as estrangeiras, igualmente de períodos e regiões muito diversificadas.

O MNA é ainda o museu português que possui no seu acervo a maior quantidade de bens culturais classificados como “tesouros nacionais”.

Existe, pois, sempre motivo de descoberta nas coleções do Museu Nacional de Arqueologia e é esse o sentido da evocação que fazemos, em cada mês que passa.





PEÇA DO MÊS COMENTADA
30 de janeiro de  2016, às 15h:30
A apresentar por Carlos Fabião

O CONJUNTO ANFÓRICO
DA
LUSITÂNIA ROMANA, ORIGEM DE DOIS POVOS


Quando falamos de Roma, romanos e romanização, costumamos pensar numa relação desigual em que Roma impõe e traz. Quando olhamos para muitos dos artefactos de época romana, pensamos de onde veio, quando chegou.

Contudo, a inserção da Lusitânia no Império Romano foi um processo complexo de interação, onde o ocidente peninsular não desempenhou somente o papel de passivo recetor. Nada como uma pequena amostra dos contentores de transporte de alimentos de fabrico lusitano, que levaram os artigos locais às mais desvairadas paragens do mundo romano, para suscitar um pequeno diálogo sobre o rico e complexo processo de integração da Lusitânia no Império Romano.

24/11/2015

Peça do mês de novembro

O Museu Nacional de Arqueologia (MNA) possui um acervo de muitos milhares, na verdade centenas de milhares, de objetos. Provêm eles de intervenções arqueológicas programadas ou de achados fortuitos, mas também de aquisições, tendo sido incorporados por iniciativa do próprio Museu ou por depósito ou por doação de investigadores e colecionadores.

Todos os períodos cronológicos e culturais, e também todos os tipos de peças, desde a mais remota Pré-História até épocas recentes, neste caso com relevo para as peças etnográficas, estão representados no MNA. Às coleções portuguesas acrescentam-se as estrangeiras, igualmente de períodos e regiões muito diversificadas.

O MNA é ainda o museu português que possui no seu acervo a maior quantidade de bens culturais classificados como “tesouros nacionais”.

Existe, pois, sempre motivo de descoberta nas coleções do Museu Nacional de Arqueologia e é esse o sentido da evocação que fazemos, em cada mês que passa.

Anverso
Reverso
Pormenor
PEÇA DO MÊS COMENTADA
28 de novembro de  2015, às 15h:30
A apresentar por António M. Monge Soares

OS BOTÕES DE OURO DOS RATINHOS
(Barragem do Alqueva, Moura)


Durante a intervenção arqueológica de campo levada a efeito, em 2006, no Castro dos Ratinhos, junto à Barragem do Alqueva, sob a responsabilidade de Luis Berrocal-Rangel e António Carlos Silva (intervenção publicada no suplemento nº6 do AP), foi encontrado um pequeno tesouro constituído por sete botões em ouro, os quais podem ser observados na exposição "Alqueva: 20 Anos de Obra, 200 Milénios de História".

Os botões apresentam dimensões e decorações praticamente idênticas, o que os torna num conjunto tipologicamente muito homogéneo. São constituídos por um disco, com cerca de 10 mm de diâmetro, que apresenta no anverso, como decoração, uma calote esférica central em relevo, rodeada por dois ou três círculos também em relevo, tudo obtido por repuxamento a partir do reverso. No anverso observa-se, ainda, que a periferia do disco se encontra sobreposta por um fio de secção rectangular, torcido e soldado ao disco. O reverso dos botões apresenta uma presilha central, resultante do aproveitamento de um fragmento do referido fio torcido, o qual foi batido, designadamente nas extremidades, para uma mais fácil soldadura.

Os botões dos Ratinhos têm paralelos estreitos em botões de ouro de duas outras proveniências: Outeiro da Cabeça (Torres Vedras) e Fortios (Portalegre), coleções expostas parcialmente na Sala do Tesouro, MNA.

Métodos instrumentais de análise (EDXRF e Micro-PIXE) permitiram caracterizar estas três coleções a partir do conteúdo elementar da liga, tipo de soldadura e tecnologia utilizada. Essa caracterização, tendo também em conta a tipologia, permite concluir pela grande semelhança entre as três coleções, o que sugere uma mesma oficina de ourives por detrás da sua manufatura.

Os botões dos Ratinhos, tendo sido encontrados em escavação arqueológica, com contextos datados pelo radiocarbono, permitem atribuir estas joias a um Bronze Final tardio (séc. VIII a.C.), quando se começavam já fazer sentir influências orientalizantes provenientes do extremo sul peninsular, embora os botões se insiram numa metalurgia indígena, não Orientalizante.

Museu Nacional de Arqueologia. Entrada Livre

20/11/2015

Peça do mês de novembro

Prato de terra sigillata clara da Quinta de São Vicente 5 (Ferreira do Alentejo) por Catarina Viegas


No passado sábado, 14 de novembro, teve lugar mais uma sessão da peça do mês, desta vez apresentada por Catarina Viegas que, sendo o mote um prato de terra sigillata clara C, recuperado nos trabalhos dos blocos de Rega do Alqueva, deu a conhecer a importância do estudo de cerâmica, servindo de fonte para um melhor conhecimento histórico, e sobretudo deste tipo de produção utilizado no consumo de alimentos à mesa, indicando aspetos do quotidiano, proveniente de diversos pontos do Império Romano, possibilitando conhecer rotas comerciais, e ainda bom indicador cronológico, com base nas suas formas.

Fez depois uma biografia da peça, dando a conhecer a sua origem e como a presença deste tipo de materiais em contexto de necrópole é bastante frequente, e por fim os espectadores da iniciativa foram convidados a ver como seria constituída uma “baixela” romana.

Praparação da mesa para a atividade

Uma mesa posta com cerâmica, dos Séc. I a. C. a VI d. C.

Introdução por António Carvalho

Catarina Viegas sobre os dados fornecidos através do estudo da cerâmica

Comparação entre uma baixela de terra sigillata
e uma verdadeira baixela de luxo de época romana, em metal

A presença de grafitos neste tipo de cerâmica indica-nos quem a terá utilizado

A mesa romana

O público foi convidado a conhecer mais de perto as peças
 com o comentário de Catarina Viegas

Catarina Viegas chama a atenção para alguns pormenores





12/11/2015

Peça do mês de novembro

O Museu Nacional de Arqueologia (MNA) possui um acervo de muitos milhares, na verdade centenas de milhares, de objetos. Provêm eles de intervenções arqueológicas programadas ou de achados fortuitos, mas também de aquisições, tendo sido incorporados por iniciativa do próprio Museu ou por depósito ou por doação de investigadores e colecionadores.

Todos os períodos cronológicos e culturais, e também todos os tipos de peças, desde a mais remota Pré-História até épocas recentes, neste caso com relevo para as peças etnográficas, estão representados no MNA. Às coleções portuguesas acrescentam-se as estrangeiras, igualmente de períodos e regiões muito diversificadas.

O MNA é ainda o museu português que possui no seu acervo a maior quantidade de bens culturais classificados como “tesouros nacionais”.

Existe, pois, sempre motivo de descoberta nas coleções do Museu Nacional de Arqueologia e é esse o sentido da evocação que fazemos, em cada mês que passa.


Créditos fotográficos ERA-Arqueologia

PEÇA DO MÊS COMENTADA
14 de novembro de  2015, às 15h:30
A apresentar por Catarina Viegas

Prato de terra sigillata clara da Quinta de São Vicente 5
(Ferreira do Alentejo)


Designamos por terra sigillata um conjunto vasto e diversificado de produções cerâmicas que foram produzidas em distintas áreas do Império Romano (na Península Itálica, Sul da Gália, Hispânia, Norte de África e Mediterrâneo oriental), desde o século I a.C. até ao século VI d.C. Como elemento comum possuem o facto de terem sido utilizadas no consumo de alimentos à mesa. 
O prato de sigillata clara C, recuperado nos trabalhos dos blocos de Rega do Alqueva, foi importado da Bizacena (centro da Tunísia) e integra-se na forma Hayes 50. Foi utilizado como oferenda num contexto funerário, tratando-se da forma mais comum deste tipo de sigillata, em contextos dos séculos III e IV. 
Além deste prato, a sepultura 13, que correspondia ao enterramento de um adulto do sexo masculino, continha ainda um pequeno recipiente de produção local, uma peça de vidro e uma lança em ferro. O conjunto foi recuperado numa necrópole parcialmente escavada no âmbito dos trabalhos arqueológicos realizados no sítio da Quinta de São Vicente 5 (Ferreira do Alentejo), suscitados pela construção dos Blocos de Rega de Ferreira, Figueirinha e Valbom em 2013. Os trabalhos arqueológicos estiveram a cargo da Era-Arqueologia e foram dirigidos pela arqueóloga Dr.ª Margarida Figueiredo e pela antropóloga Dr.ª Zélia Rodrigues.
A presença deste tipo de materiais num contexto de necrópole é bastante frequente, refletindo o consumo e circulação de cerâmica de mesa importada no interior alentejano, numa área com povoamento rural em época romana certamente dominado por estabelecimentos rurais tipo villa. 
De volta ao mundo dos vivos iremos ainda procurar mostrar a evolução da baixela de cerâmica importada em época romana, desde o período Republicano à Antiguidade tardia, tentando reconstituir a mesa romana. 

Museu Nacional de Arqueologia. Entrada Livre

27/10/2015

Peça do mês de outubro

O Museu Nacional de Arqueologia (MNA) possui um acervo de muitos milhares, na verdade centenas de milhares, de objetos. Provêm eles de intervenções arqueológicas programadas ou de achados fortuitos, mas também de aquisições, tendo sido incorporados por iniciativa do próprio Museu ou por depósito ou por doação de investigadores e colecionadores.

Todos os períodos cronológicos e culturais, e também todos os tipos de peças, desde a mais remota Pré-História até épocas recentes, neste caso com relevo para as peças etnográficas, estão representados no MNA. Às coleções portuguesas acrescentam-se as estrangeiras, igualmente de períodos e regiões muito diversificadas.

O MNA é ainda o museu português que possui no seu acervo a maior quantidade de bens culturais classificados como “tesouros nacionais”.

Existe, pois, sempre motivo de descoberta nas coleções do Museu Nacional de Arqueologia e é esse o sentido da evocação que fazemos, em cada mês que passa.




PEÇA DO MÊS COMENTADA
31 de outubro de  2015, às 15h:30
A apresentar por Victor S. Gonçalves e Ana Catarina Sousa

XAREZ 12 (REGUENGOS DE MONSARAZ, ÉVORA) E AS PRIMEIRAS ARQUITECTURAS DE TERRA DO CENTRO E SUL DE PORTUGAL: AS ESTRUTURAS DE COMBUSTÃO E OS SEUS CONTEXTOS

Durante largas décadas, o Neolítico antigo do interior alentejano era virtualmente desconhecido no registo arqueológico. A enorme visibilidade do Megalitismo na região (antas, menires e cromeleques) contrastava com os ténues indícios do povoamento mais antigo, nomeadamente das fases iniciais do Neolítico.

Reguengos de Monsaraz, território com um extenso historial de pesquisas, é paradigmático desta realidade. Até ao início dos trabalhos do Alqueva, apenas se conheciam as antas e menires da região, com um longo trabalho de pesquisa, desde os trabalhos pioneiros de Georg e Vera Leisner nos anos 40 até aos trabalhos da UNIARQ, a partir de meados dos anos 80 do século 20. 

Muitas antas, pouca gente?

Os trabalhos de minimização do impacto da construção da barragem do Alqueva na Arqueologia permitiram identificar as fases anteriores ao eclodir do Megalitismo na região, nomeadamente na transição Mesolítico/ Neolítico. Na curva do Rio Guadiana, longe da principal concentração de antas, foram escavados entre 1998 e 2002 quatro habitats integráveis na transição Mesolítico/ Neolítico (6º milénio a.n.e.): Carraça, Fonte dos Sapateiros, Xarez 4 e Xarez 12.

Em dois de estes sítios (Xarez 12 e Carraça 1), foram identificadas estruturas de argila, revelando uma complexidade e sequência pouco conhecidas para este período.

Xarez 12 corresponde ao sítio com melhor preservação. A localização privilegiada sobre a margem direita do Guadiana atraiu grupos humanos numa longa cronologia, em regime de ocupação sazonal. A funcionalidade do sítio durante essa longa diacronia deverá ter-se mantido constante, relacionada com a caça (evidenciada na fauna e na abundância de projéteis – armaduras geométricas) e com a concentração de estruturas para combustão (no total: 33). 

As estruturas associadas à fase mais antiga teriam uma funcionalidade de forno culinário, registando-se a presença de ossos de suídeos e conchas de amêijoa de rio no interior  (carne de porco à alentejana no Neolítico?).

Face à importância científica e patrimonial dos fornos de Xarez 12, quando as águas da Barragem já quase atingiam a cota de 136 m (altitude média do sitio) foram removidas 7 das 33 estruturas de argila. Foram depositadas no Museu Nacional de Arqueologia e 13 anos depois são exibidas pela primeira vez.

A «peça» do mês é entendida num sentido mais lato, porque os Museus de Arqueologia são sempre museus de sítios, e porque temos uma parte do sítio no Museu.

Museu Nacional de Arqueologia. Entrada Livre

24/09/2015

Peça do mês de setembro

O Museu Nacional de Arqueologia (MNA) possui um acervo de muitos milhares, na verdade centenas de milhares, de objectos. Provêm eles de intervenções arqueológicas programadas ou de achados fortuitos, mas também de aquisições, tendo sido incorporados por iniciativa do próprio Museu ou por depósito ou por doação de investigadores e colecionadores.

Todos os períodos cronológicos e culturais, e também todos os tipos de peças, desde a mais remota Pré-História até épocas recentes, neste caso com relevo para as peças etnográficas, estão representados no MNA. Às colecções portuguesas acrescentam-se as estrangeiras, igualmente de períodos e regiões muito diversificadas.

O MNA é ainda o museu português que possui no seu acervo a maior quantidade de peças classificadas como “tesouros nacionais”.

Existe, pois, sempre motivo de descoberta nas coleções do Museu Nacional de Arqueologia e é esse o sentido da evocação que fazemos, em cada mês que passa.



ESTELA DE TAVILHÃO II
Almodôvar. Beja (n.º E  8 127)
Comentada por Amílcar Guerra

Entre o espólio mais relevante do Museu Nacional de Arqueologia conta-se um conjunto de monumentos epigráficos do Sul de Portugal pertencentes ao que se designa como “escrita do Sudoeste”, também conhecida como “tartéssica”. Esta manifestação é tomada geralmente como a mais antiga escrita da Península Ibérica, à qual se atribui uma cronologia entre os séc. VII e V a. C. Um dos mais bem conservados vestígios deste conjunto é a estela do Tavilhão II, recolhida nesse lugar da freguesia do Ameixial, situado no interior do concelho de Loulé, em plena Serra do Caldeirão e nas margens da Ribeira do Vascão.

A área em que este achado ocorre corresponde a um território em que se regista a maior concentração de manifestações deste género, repartida essencialmente entre este concelho e os vizinhos de Almodôvar, Silves e Ourique, os quais, só por si, reúnem mais de metade de todos as inscrições com esta escrita em território peninsular. Apesar de particularmente concentrados nessa área, a sua distribuição abarca todo o sul de Portugal (abaixo da linha de Serpa) e uma vasta área que engloba uma parte significativa da Andaluzia e Estremadura espanhola.

O monumento em si corresponde a uma estela funerária que certamente identificaria a sepultura de um membro de elite dessa região, que também na morte se diferenciava de muitos outros membros da comunidade. A parte inferior do bloco de xisto deveria ser fixada no solo, acima do qual se apresentaria um texto escrito da direita para a esquerda (ao contrário, portanto, da orientação da nossa escrita). O sistema de signos usado nesta inscrição descende do alfabeto fenício e foi criado no Sul da Península Ibérica para transcrever a(s) língua(s) dessa região. Embora saibamos transcrever essas inscrições, não é ainda possível traduzi-las, desconhecendo-se mesmo a língua em que se encontram escritas, tratando-se, portanto, de um texto indecifrado.

 26 de setembro de 2015 | 15h30 | entrada livre


10/07/2015

Peça do mês de julho

O Museu Nacional de Arqueologia (MNA) possui um acervo de muitos milhares, na verdade centenas de milhares, de objectos. Provêm eles de intervenções arqueológicas programadas ou de achados fortuitos, mas também de aquisições, tendo sido incorporados por iniciativa do próprio Museu ou por depósito ou por doação de investigadores e colecionadores.

Todos os períodos cronológicos e culturais, e também todos os tipos de peças, desde a mais remota Pré-História até épocas recentes, neste caso com relevo para as peças etnográficas, estão representados no MNA. Às colecções portuguesas acrescentam-se as estrangeiras, igualmente de períodos e regiões muito diversificadas.

O MNA é ainda o museu português que possui no seu acervo a maior quantidade de peças classificadas como “tesouros nacionais”.

Existe, pois, sempre motivo de descoberta nas coleções do Museu Nacional de Arqueologia e é esse o sentido da evocação que fazemos, em cada mês que passa.


POLICROMIA DA MORTE
A arqueologia do naufrágio na obra do pintor Jean-Baptiste Pillement
Por Jean Yves Blot, com Maria Luísa Blot






Em 1987, um comprador anónimo adquiriu dois quadros do pintor francês Jean-Pillement (1728-1808) num leilão organizado no Mónaco pela galeria Sotheby. Os dois quadros pertencem hoje ao espólio do MNA e correspondem a uma experiência pessoal vivida pelo pintor na costa norte de Peniche, no decurso da sua última estadia em Portugal, em 1786.


 Morrer é uma queda surda, um abismo individual cavado no rio da vida.

               Milhares de navios morrem todos os anos nos mares do mundo.

               Mas para o navio, morrer é um ato coletivo.


A meio caminho entre a peça jornalística e a obra de arte, os dois quadros de Jean Pillement conservados no MNA fornecem uma visão privilegiada de momentos fugazes por essência.

Num caso trata-se da morte de um navio de guerra, noutro do resgate da carga do mesmo, proveniente de América do Sul, como tudo o resto.

O conjunto presta-se a um exercício privilegiado de arqueologia da morte: a do navio e a dos seres humanos que vinham a bordo.

O tema, apresentado no MNA, resulta da investigação do autor no que diz respeito ao navio e da investigação da arqueóloga Maria Luisa Pinheiro Blot no que diz respeito a thanatoarqueologia, disciplina na qual adquiriu formação há três décadas junto do professor Dr. Henri Duday, da universidade de Bordéus, em previsão das campanhas arqueológicas que tiveram lugar na costa de Peniche entre 1986 e1994.



Thanatoarqueologia em Peniche: apresentação por Maria Luisa Pinheiro Blot (Peniche de Cima,1988) do método de escavação em suspensão no estaleiro San Pedro de Alcantara. A grelha colocada em cima dos vestígios osteológicos permite a arqueóloga o registo a escala 1/5 do conjunto dos indivíduos associados ao acidente de Fevereiro de 1786.




"Indivíduo X6: Fracturas múltiplas do crânio/presença de uma hemi-face esquerda desconectada do resto dos fragmentos do crânio. Fractura da mandíbula em duas partes. Ausência da parte posterior do crânio, perdida antes da inumação do cadáver. Fracturas múltiplas das costelas. Ausência parcial ou total das extremidades dos membros superiores (mãos). Fractura, com sobreposição, da parte distal do úmero esquerdo (...)"

(Maria Luísa Pinheiro Blot, Relatório da campanha arqueológica SPA-Terra-1988). (desenho: M.L. Pinheiro Blot, 1988) (repr. de Blot et al., 2008: Concerto para Mar e Orquestra.
Peniche, Câmara Municipal de Peniche).

03/06/2015

Peça do mês de junho

6 de junho de 2015, às 15h30m
Entrada Livre



O Museu Nacional de Arqueologia (MNA) possui um acervo de muitos milhares, na verdade centenas de milhares, de objectos. Provêm eles de intervenções arqueológicas programadas ou de achados fortuitos, mas também de aquisições, tendo sido incorporados por iniciativa do próprio Museu ou por depósito ou por doação de investigadores e colecionadores.

Todos os períodos cronológicos e culturais, e também todos os tipos de peças, desde a mais remota Pré-História até épocas recentes, neste caso com relevo para as peças etnográficas, estão representados no MNA. Às coleções portuguesas acrescentam-se as estrangeiras, igualmente de períodos e regiões muito diversificadas.

O MNA é ainda o museu português que possui no seu acervo a maior quantidade de peças classificadas como "tesouros nacionais".

Existe, pois, sempre motivo de descoberta nas coleções do Museu Nacional de Arqueologia e é esse o sentido da evocação que fazemos, em cada mês que passa.



Peça do Mês
Defesa / Presa de elefante
(nº inv. DGPC.CNAN.4595.01.0001)
Por João Luís Cardoso


Foi recolhida ao largo do Cabo Sardão, na pesca de arrasto, uma defesa de elefante, aparentemente relacionada com fragmentos de ânforas púnicas, recuperados na mesma área, em resultado da mesma prática de pesca. Deste modo, a peça poderia ser compatível com a época púnica, constituíndo provavél indício do comércio do marfim em bruto naquela época, à semelhança de outros achados da mesma natureza. Resultaria assim de um naufrágio, com paralelos em outros casos docmentados daquela época, com destaque para as presas recuperadas do naufrágio do Cabo Palos, Cartagena, uma delas com inscrição púnica. Contudo, uma recente datação de radiocarbono realizada a partir de uma amostra retirada da peça em causa, veio relançar a discussão sobre a época deste tipo de achados subaquáticos nas costas portuguesas. 

15/05/2015

Peça do mês de maio

O Museu Nacional de Arqueologia (MNA) possui um acervo de muitos milhares, na verdade centenas de milhares, de objectos. Provêm eles de intervenções arqueológicas programadas ou de achados fortuitos, mas também de aquisições, tendo sido incorporados por iniciativa do próprio Museu ou por depósito ou por doação de investigadores e colecionadores.

Todos os períodos cronológicos e culturais, e também todos os tipos de peças, desde a mais remota Pré-História até épocas recentes, neste caso com relevo para as peças etnográficas, estão representados no MNA. Às coleções portuguesas acrescentam-se as estrangeiras, igualmente de períodos e regiões muito diversificadas.

O MNA é ainda o museu português que possui no seu acervo a maior quantidade de peças classificadas como "tesouros nacionais".

Existe, pois, sempre motivo de descoberta nas coleções do Museu Nacional de Arqueologia e é esse o sentido da evocação que fazemos, em cada mês que passa.



Peça do Mês
Lápide funerária do Bispo Iulianus
(nº inv. 2003.48.1)
Por Manuel Luís Real


A presente lápide é a peça arqueológica mais emblemática relativa à cultura moçárabe em território português. A sua importância deve-se ao conjunto de factores, que convém salientar. Primeiramente, dá-nos o nome de um bispo cristão a residir no Algarve ainda em finais do séc. X. Além disso, trata-se de uma peça erudita que, pela sua tipologia e contexto, revela como este prelado convivia num ambiente culturamente superior. É ainda de realçar a circunstância do enterramento pio de um líder cristão, em plena época de Almançor, ser publicitado através de um epitáfio que exorta os fiéis a orar pelo defunto. Finalmente, a alusão à ultrapassagem do ano mil - da Era de César - também não deixa de ter, aqui, um significado escatológico e cultural.

A epígrafe está datada de 12 das Kalendas de Abril, do ano 29º posterior ao início da Era Milésima (21 de Março de 991, na Era cristã). Depois de aludir aos restos mortais do bispo Julião, apresenta a data do seu falecimento e adverte o leitor para que não deixe de rezar pelo defunto, pois alcançará também a protecção de Cristo Senhor. A ordinatio é cuidada, sendo as letras e os sinais de abreviatura desenhados também com grande qualidade. E a expressão hic requiescunt membra, apesar de invulgar, encontra-se nos meios eruditos de Sevilha e Córdova. É particularmente relevante, aliás, o paralelismo com o epitáfio de Salvado (982 d. C.), aparecido em Córdova e que, hoje, se encontra depositado no Museu Arqueológico de Sevilha.

A epígrafe apareceu na Quinta do Muro, em Cacela Velha, segundo particulariza Estácio da Veiga em 1887, nas suas Antiguidades Monumentais do Algarve (vol. 2, p. 397). A proveniência de Cacela já fora referida por J. C. Ayres de Campos dez anos antes, não obstante E. Hübner ter mencionado a epígrafe como originária da Fonte Salgada (Tavira). Este erro veio lançar confusão, durante largos anos, sobre o verdadeiro local de achado, o que foi de novo esclarecido, recentemente por Cristina Garcia. A própria peça veio a ser dada como perdida, mas reencontrou-se há alguns anos atrás, após o que veio a ingressar na coleção do Museu Nacional de Arqueologia.

A confirmação da proveniência de Cacela tem significado especial, no contexto da época. Embora Faro continuasse a ser sede de bispado, talvez por ser uma cidade ainda bastante povoada de cristãos foi entrando em decadência, a favor de Silves, Chegou mesmo a ser referida como "caria", ao invés do que se passava em Cacela, que então se torna na segunda cidade mais importante do Algarve. Além disso, vivia um momento brilhante no domínio da poesia e do direito, com íntima ligação à corte Califal. Quanto à população de Faro, ela sentia motivos para se achar insegura, pelo menos desde a surtida viking na vizinha foz do Arade. Esta aproximação do bispo Iulianus a aliás, Cacela, onde dispunha de uma mansão - talvez para uso temporário - é compreensível no plano cultural, o que é confirmado, pela ligação estilística desta lápide à arte epigráfica praticada em Córdova.


06/03/2015

Peça do Mês de Março

O Museu Nacional de Arqueologia (MNA) possui um acervo de muitos milhares, na verdade centenas de milhares, de objectos. Provêm eles de intervenções arqueológicas programadas ou de achados fortuitos, tendo sido incorporados por iniciativa do próprio Museu ou por depósito ou por doação de investigadores e coleccionadores.

Todos os períodos cronológicos e culturais, e também todos os tipos de peças, desde a mais remota Pré-História até épocas recentes, neste caso com relevo para as peças etnográficas, estão representados no MNA. Às colecções portuguesas acrescentam-se as estrangeiras, igualmente de períodos e regiões muito diversificadas.
O MNA é ainda o museu português que possui no seu acervo a maior quantidade de peças classificadas como “tesouros nacionais”.

Existe, pois, sempre motivo de descoberta nas colecções do Museu Nacional de Arqueologia e é esse o sentido da evocação que fazemos, em cada mês que passa.



PEÇA DO MÊS COMENTADA

Tigela islâmica do Castelo Velho de Alcoutim

(nº invº 999.2.1)

A apresentar por Helena Catarino

14 de Março de 2015, às 15h



A cerâmica policroma islâmica divulga-se no período abássida e, da região Iraque-iraniana (olarias de Samarrã e Susa), é transmitida ao Norte de África (fundação de Raqqada e da mesquita de Cairuã, na Tunísia) onde se instalam, nos finais do séc. IX, ceramistas orientais. Será a partir deste epicentro que as cerâmicas decoradas a verde e manganés entram na Península Ibérica, começando a fabricar-se no califado de Córdova (séc. X/XI) e impondo-se como símbolo das produções omíadas de al-Andalus. Associadas ao luxo palatino de Córdova e Medina Azahara, rapidamente se fabricam em outras olarias (Elvira/Granada, Pechina/Almeria, Múrcia, Priego de Córdova, Toledo…), alcançando grande difusão no período dos reinos de taifa (séc. XI).

É, pois, com a política centralizadora e ideologia estatal omíada que esta peculiar decoração se vulgariza desde o califado. Do ponto de vista técnico faz-se em três etapas: a peça é mergulhada num engobe esbranquiçado; os motivos decorativos são delineados a óxido de manganés (negro) e preenchidos com óxido de cobre (verde); o vidrado (esmalte de chumbo e estanho) resulta numa superfície de tonalidades brancas ou amareladas / meladas. A cromática configura simbologia político-religiosa: o branco, símbolo de claridade, lealdade e poder é a cor da dinastia omíada; o verde, símbolo do Islão é a cor do profeta Maomé; o negro, apesar de mero recurso técnico, pode relacionar-se com a austeridade e a dignidade do poder. Do mesmo modo, os motivos decorativos representam formulações ideológicas / simbólicas, sejam relacionadas com a legitimidade do poder (al-mulk) ou a religião (a árvore da vida, o paraíso, o cordão da eternidade…).

Reflexo da ampla difusão das cerâmicas decoradas a verde a manganés califais/taifas (séc. X/XI) é a peça aqui exposta, proveniente das escavações do Castelo Velho de Alcoutim (concelho de Alcoutim, distrito de Faro), fortificação omíada elevada sobre o vale do Guadiana. Trata-se de uma pequena tigela (diâmetro do bordo 132mm e de fundo 49mm; espessura das paredes 4mm, do fundo 9mm), de pasta rosada, corpo semiesférico, base de pé anelar, com ressalto em moldura e de bordo adelgaçante. A superfície externa é de tom melado claro e a interna, de vidro transparente sobre o engobe (quase ausente), mostra restos de decoração em arcos de círculo junto do bordo e o motivo central exibe o bolbo da flor de lótus, cuja simbologia, comum a várias civilizações desde o antigo Egipto, representa o nascimento e o renascimento, a criação e a fertilidade.

Museu Nacional de Arqueologia. Entrada Livre