19/01/2017

Divindades indígenas da Beira

No dia 26 de janeiro, ouviremos falar, no Museu Nacional de Arqueologia, de divindades indígenas da Beira, de Trebaruna, e tantas outras mais, bem como de percursos arqueológicos e de sabores de tão rica região.

Até lá conheça algum do acervo do Museu Nacional de Arqueologia proveniente da Beira Interior, neste caso, visitando a exposição «Tesouros da Arqueologia Portuguesa».




Bracelete de ouro proveniente de Soalheira, Fundão
Idade do Bronze. 
Bracelete elipsoidal aberto, de aro maciço e liso, de secção circular. Adelgaça do centro para as extremidades, aproximadas e afeiçoadas por martelagem.
Museu Nacional de Arqueologia.

© Arquivo de Documentação Fotográfica, DGPC. MNA

Caricatura de José Leite de Vasconcelos

Conheça alguns dos seus materiais gráficos, designadamente desenhos e caricaturas de valor histórico.

Na fotografia: Caricatura de José Leite de Vasconcelos, o fundador do actual Museu de Arqueologia, de Francisco Valença [1882-1963].



Desenhador, ilustrador, figurinista e caricaturista, Francisco Valença foi um satírico, tendo deixado uma vasta obra, desde que iniciou a sua actividade no quinzenário humorístico “O Chinelo” (1900).

A partir de 1904, inicia a sua colaboração em “O Século – Suplemento Humorístico”, passando a ter um papel relevante entre os desenhadores, caricaturistas e o público. tornando-se uma importante presença n’'A Tribuna' (1904), “Tiro e Sport” (1905-1911), “Ilustração Portuguesa” (1906), “Novidades" (1907), “Arte Musical” (1907-1908), “O Raio” (1909), “Alma Nacional” (1910), ou na “Límia” (1910).

Próxima exposição no MNA

Está reunida a equipa do Museu Nacional de Arqueologia, da Câmara Municipal de Loulé/Museu Municipal de Loulé e Comissariado Científico que prepara a exposição “Loulé. Territórios, Memórias, Identidades”, e que inaugurará no final do primeiro trimestre de 2017. 

Quando esta imperdível exposição abrir, a visita será obrigatória!




Vaso islâmico de cerâmica vidrada. Séculos XII d.C. - XIII d.C. - proveniente de Loulé

O MNA nos jornais da época

O Museu Nacional de Arqueologia é uma fonte inesgotável de informação.

Poderá conhecê-lo também através dos jornais da época!

«Sempre Fixe», 1956. Desenho de Francisco Valença.





Divindades indígenas da Beira

No dia 26 de janeiro, ouviremos falar, no Museu Nacional de Arqueologia, de divindades indígenas da Beira, de Trebaruna, e tantas outras mais, bem como de percursos arqueológicos e de sabores de tão rica região.
Até lá conheça algum do acervo do Museu Nacional de Arqueologia, proveniente da Beira Interior.

1 - «Armela de asa de sítula de bronze, Época Romana
«Armela figurativa de asa de sítula de espelho ovalado, em forma de mascarão. Rosto expressivo, perfeitamente delimitado por uma linha de contorno; olhos arredondados com pupilas esculpidas, em forma de um pequeno círculo; nariz saliente, de asas largas e boca indicada por um pequeno sulco; bigode expresso por duas molduras lisas e oblíquas, que tocam a barba, executada com pequenos sulcos radiais, em forma de folhas estilizadas. Na testa, três faixas recortadas, com golpes orientados alternandamente num e noutro sentido, poderão sugerir a esquematização do cabelo. A extremidade da pequena aba tem o memso motivo decorativo das protuberâncias laterais, existentes ao nível dos olhos e da orla que se identifica com a barba. Anel de suspensão e olhal redondos, notando-se início de desgaste» Proveniência:Santa Menina (Fundão)».

2 - «Armela figurativa de asa de sítula de espelho triangular, de vértices arredondados mostrando um mascarão. Rosto toscamente modelado, inserido num espaço rebaixado e oval: olhos arredondados, com pupilas marcadas por um ponto inciso, nariz esguio, boca inexistente. Bigode assinalado por molduras enviesadas, com engrossamento nas extremidades junto da barba. Esta e as molduras da testa envolvem a face, com alguns sulcos irregulares. O anel de suspensão está bastante desgastado, partido na zona de fricção. Achado avulso em Escarigo (Fundão).

3 - Nota de José Leite de Vasconcelos, pertencente ao acervo do MNA
Alguma Bibliografia:
ALARCÃO, Jorge de - Roman Portugal, vol. II. Inglaterra: Aris & Phillips LTD, 1988, pág. 71, 4/395
DELGADO, Manuela - "Elementos de Sítulas" in Conimbriga, vol.IX. Faculdade de Letras, Instituto de Arqueo: Universidade de Coimbra, 1970, pág. -
O Arqueólogo Português, vol.XXVI. Lisboa: Museu Nacional de Arqueologia, 1924, pág. 31-32
PINTO, António José Nunes - Bronzes Figurativos Romanos de Portugal. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2002, pág. 309-310 nº 175, Est. 139
VASCONCELOS, José Leite de - "Pela Beira - Palavras Prévias - De Lisboa a Castelo Branco", in O Arqueólogo Português, vol. XXII. Lisboa: Imprensa Nacional, 1917, pág. 313, 316








13/01/2017

Coleções etnográficas do museu

Museu Nacional de Arqueologia
N.º de Inventário:ETNO 2729
Amuleto pânteo
Amuleto pânteo de chumbo, constituído por uma figa, chave, crescente lunar, signo saimão e um coração atravessado por uma seta, tudo unido numa só peça e suspenso de uma mão provida de um anel para suspensão.



© Arquivo de Documentação Fotográfica, DGPC. MNA

http://www.matriznet.dgpc.pt/MatrizNet/Objectos/ObjectosConsultar.aspx?IdReg=1097704

As coleções etnográficas do Museu Nacional de Arqueologia, refletem na sua origem, constituição e organização, a própria história do Museu que no seu conceito fundacional se designou, ainda que por brves anos, por Museu Etnográfico Português, muito embora a componente arqueológica tivesse sido dominante desde o início. E se, no programa inicial de 1893-1894, se haviam consagrado apenas duas secções – a Arqueológica e a Moderna – uma terceira é muito precocemente acrescentada – a de Antropologia Física.

A riqueza e diversidade das Coleções Etnográficas oriundas maioritariamente do território português - continental e insular, mas também das antigas ex-colónias, é bem patente nos sucessivos programas museológicos do Museu de José Leite de Vasconcelos, onde foram ganhando protagonismo crescente e permitiram cumprir o mais elevado e ansiado propósito do Fundador, o da criação de um “Museu do Homem Português”.

A partir deste primeiro mês do ano de 2017, o Museu Nacional de Arqueologia dará conta do seu acervo etnográfico, que embora nem sempre visitável continua a ser objeto de estudo sistemático e aturado, retomando assim o espírito que esteve na sua vocação inicial.

O Museu através dos seus investigadores

Descubra o Museu Nacional de Arqueologia também através dos seus Investigadores.
Carlos Pereira, 
As Necrópoles Romanas Do Algarve. Acerca dos Espaços da Morte no Extremo Sul da Lusitânia (II Volumes), 2014.
FACULDADE DE LETRAS. DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA. 



http://repositorio.ul.pt/…/…/11460/1/ulsd068608_td_vol_1.pdf

repositorio.ul.pt/bitstre…/…/11460/2/ulsd068608_td_vol_2.pdf

Sarcófago das vindimas

Sarcófago das Vindimas, Castanheira do Ribatejo. Museu Nacional de Arqueologia, Lisboa.



«Sarcófago de pequeno tamanho, com as extremidades arredondadas e a forma geral de uma cuba de vinificação (lenós) mostrando a face principal o retrato de uma jovem no interior de um medalhão assente sobre um vaso biansado, donde saem ramos de oliveira, parras e cachos de uvas que vão preencher todo o espaço da face principal e principalmente das laterais. A peça foi concebida para ficar encostada a uma parede, razão pela qual a face oposta ao frontal não mostra qualquer escultura. O busto representa uma menina vestida de um "colobium", uma túnica pregueada, sem mangas, presa aos ombros por duas fíbulas, cabelos em bandós e atados na nuca, olhos com marca da pupila, estando o busto e a pequena peanha em que assenta inseridos num medalhão côncavo que lhe serve de moldura. Entre as ramagens que saem do vaso, ornado de parras, aparecem pequenos cupidos, cestas de vindimas, aves e animais campestres como coelhos, cobras, escorpiões, lagartos, caracóis e gafanhotos. Por cima do medalhão corre uma fieira de pérolas sobrepujada por uma outra de ovas. É evidente o significado báquico ou dionisíaco de toda a composição, relacionado com a felicidade da vida além-túmulo. O sarcófago, um trabalho cuidadoso feito talvez em oficinas do oriente mediterrânico, foi certamente importado com o medalhão por acabar tendo-se no termo da viagem esculpido a efígie da menina depositada no túmulo, o que explicaria também que o retrato se apresente esteticamente menos conseguido que o belo conjunto escultórico envolvente. O penteado da menina e os elementos decorativos, permitem, do ponto de vista técnico e temático, datar de meados do século III d.C. o fabrico da peça. (Segundo ficha do Catálogo de Escultura Romana do MNA, da autoria de José Luís de Matos).

"...Tradicionalmente considerado como uma produção escultórica do oriente mediterrânico, tende-se hoje a procurar a sua filiação numa oficina ocidental, provavelmente itálica". (Segundo ficha de Catálogo da Exposição "Religiões da Lusitânia", da autoria de José Cardim Ribeiro)».

Asa de lucerna

Asa de lucerna com máscara feminina, proveniente de Torre d'Ares.
Museu Nacional de Arqueologia.




«Apresenta as feições bem marcadas, ladeada pelos cabelos encaracolados ou com tranças que, por sua vez, são encimadas pelo que parece um diadema de forma semicircular. Olhos escavados, com íris marcada por um furo, sobrancelhas bem marcadas, nariz direito e boca semiaberta. O pescoço é representado por folhas. Atrás sobressai um espigão que permitia a peça encaixar numa estrutura. (...)
Em 1877, no decorrer da elaboração da Carta Arqueológica do Algarve, Estácio da Veiga procedeu a escavações arqueológicas onde descobriu uma grande necrópole de incineração e de inumação dos sécs. I e II d.C.. Recolheu um conjunto significativo de materiais. Estes objectos fizeram parte do Museu Arqueológico do Algarve, e em 1894 foram integrados no actual Museu Nacional de Arqueologia, por decreto de 20 de Dezembro de 1893 do Ministro Bernardino Machado, conforme "O Arqueólogo Português, série 1, vol. VII, 1903. Outra parte da colecção de Estácio da Veiga foi comprada pelo Estado à família e incorporada igualmente no Museu Nacional de Arqueologia».

Escultura romana de bronze de Oeiras, oriunda da área da «villa», recolhida por Leite de Vasconcellos.



Escultura romana de bronze de Oeiras, oriunda da área da «villa», recolhida por Leite de Vasconcellos.
Museu Nacional de Arqueologia. Foto de João Luis Cardoso. a partir de:
O MOSAICO ROMANO DE OEIRAS. ESTUDO ICONOGRÁFICO, INTEGRAÇÃO FUNCIONAL E CRONOLOGIA
Mário Varela Gomes, João Luís Cardoso & Maria da Conceição André 
Estudos Arqueológicos de Oeiras,6, Oeiras, Câmara Municipal, 1996, p. 367-406
O MOSAICO ROMANO DE OEIRAS. ESTUDO ICONOGRÁFICO, INTEGRAÇÃO FUNCIONAL E CRONOLOGIA
Mário Varela Gomes, João Luís Cardoso & Maria da Conceição André

https://repositorioaberto.uab.pt/bitstream/10400.2/4593/1/1996,%20O%20mosaico%20Romano%20de%20Oeiras,%20estudo%20iconogr%C3%A1fico,%20integra%C3%A7%C3%A3o%20funcional%20e%20cronologia.pdf